Qual é a zona bioclimática da minha cidade? E o que isso tem haver com o meu projeto?
O clima brasileiro é tão diverso quanto sua dimensão continental. Projetar uma edificação em Porto Alegre exige estratégias completamente diferentes do que projetar em Manaus ou em Brasília. É para sistematizar essa relação entre clima e ed
ificação que existe o Zoneamento Bioclimático Brasileiro, recentemente atualizado na NBR 15220-3:2024.
O que é o Zoneamento Bioclimático?
O zoneamento bioclimático divide o território nacional em regiões que compartilham comportamentos climáticos semelhantes, com base em parâmetros como temperatura do ar de bulbo seco e umidade relativa. O objetivo é auxiliar na definição de estratégias construtivas para projetos, tais como ventilação natural, sombreamento, orientação solar e massa térmica, a fim de otimizar o conforto térmico dos ocupantes e reduzir o consumo de energia para climatização.
Para auxiliar projetistas a encontrarem a zona bioclimática da cidade em que seus projetos serão implementados, o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações da Universidade Federal de Santa Catarina (LabEEE/UFSC) desenvolveu uma ferramenta interativa com a zona bioclimática de todas as cidades brasileiras: https://labeee.ufsc.br/zoneamento/
No procedimento de simulação computacional da ABNT NBR 15575-1 como o Zoneamento Bioclimático é considerado?
A simulação computacional não utiliza diretamente o zoneamento bioclimático, uma vez que os dados climáticos são considerados através do arquivo climático da cidade em que a edificação está ou será construída. Entretanto, no procedimento de simulação, é importante saber a zona bioclimática da cidade por conta de dois pontos da normativa:
Sistema construtivo da cobertura do modelo de referência: para as zonas bioclimáticas 5 e 6 deve ser considerado isolamento térmico na cobertura da edificação de referência.
Indicadores avaliados para atendimento ao nível mínimo: para as zonas bioclimáticas 1, 2 e 3A deve ser avaliada também a temperatura operativa anual mínima (Tomín) da unidade habitacional.
A Importância no Projeto Arquitetônico e de Engenharia
Adotar o zoneamento bioclimático na fase inicial do projeto permite:
Eficiência Energética: Redução da dependência de ar-condicionado e aquecedores, aproveitando os recursos naturais da região.
Conforto Térmico: Garantia de ambientes internos dentro da zona de conforto ao longo do ano.
Sustentabilidade: Diminuição da pegada de carbono do prédio na fase operacional.
Indo Além do Deterministico: As Incertezas do Clima
Estudos recentes, como a pesquisa de Machado et al. (2025), destacam que o clima no ambiente construído não é estático e envolve três fontes críticas de incerteza:
Dados de Alta Resolução: Municípios sem estações meteorológicas locais utilizam interpolações e inteligência artificial para definir seu clima, o que introduz margens de variação.
Ilhas de Calor Urbanas (Microclima): O centro urbano denso de uma cidade costuma ser mais quente do que as áreas rurais ou aeroportos onde ficam as estações meteorológicas, alterando a demanda real de resfriamento das edificações.
Mudanças Climáticas: Projeções indicam elevação na temperatura média das cidades nas próximas décadas, o que pode exigir que o projeto já preveja estratégias de adaptação futura.
Entender o zoneamento é o primeiro passo para criar projetos eficientes, confortáveis e preparados para o futuro.
Na simulação computacional o clima é considerado através do arquivo climático utilizado, além das definições do entorno da edificação.
Referências sobre o tema:
ABNT NBR 15220-3:2024: Desempenho térmico de edificações - Parte 3: Zoneamento bioclimático por desempenho
Página do LabEEE que trata sobre a revisão do zoneamento bioclimático: https://labeee.ufsc.br/pt-br/zoneamentobioclimatico
Artigo sobre o desenvolvimento do zoneamento bioclimático de Machado et al. (2024): https://doi.org/10.1016/j.enbuild.2024.114157
Artigo sobre as variações microclimáticas de Machado et al. (2025): https://doi.org/10.1016/j.buildenv.2024.112423

