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Modelagem de Pavimentos na NBR 15575: Diretrizes Normativas e Condições de Contorno

27 de out.
3 min de leitura

Ao realizar a simulação computacional de desempenho térmico de uma edificação residencial segundo a ABNT NBR 15575, uma dúvida técnica muito comum surge logo no início do processo: é necessário modelar todos os pavimentos do edifício individualmente?


A resposta rápida é: não. 


A própria norma estabelece permissões de simplificação geométrica para otimizar o processo de modelagem e simulação. No entanto, para que o modelo represente fielmente o comportamento térmico do edifício em uso real, a normativa impõe regras e recomendações quanto à volumetria dos ambientes e à preservação das condições de contorno.


Neste artigo, detalhamos como funciona a simplificação de pavimentos e os cuidados fundamentais para não distorcer os resultados de desempenho.


1. Como funciona a simplificação dos pavimentos-tipo?


A NBR 15575 permite que sejam modelados e simulados apenas os pavimentos que apresentam variações quanto ao seu layout, às suas características construtivas ou condições de contorno.


Pavimentos a serem modelados segundo a ABNT NBR 15575
Representação esquemática dos pavimentos a serem modelados. Imagem adataptada da ABNT NBR 15575-1:2025 com o uso o Gemini.

Exemplo Prático: Imagine um edifício residencial de 10 pavimentos, no qual todos possuem a mesma planta-baixa, o 1º pavimento (térreo) está em contato com o solo e o 10º pavimento (cobertura) tem a cobertura exposta.

Neste cenário, não há necessidade de simular individualmente os 10 andares. A modelagem pode ser agrupada da seguinte forma:


  • Térreo (1º pavimento): Avaliado isoladamente devido ao contato direto com o solo.

  • 1x Pavimento Tipo (representando do 2º ao 9º pavimento): Representa o comportamento térmico dos pavimentos localizados entre térreo e cobertura.

  • Cobertura (10º pavimento): Avaliado isoladamente por conta da exposição térmica do elemento de cobertura.


Os resultados obtidos para o pavimento tipo deverão ser replicados  para todas as unidades habitacionais entre o 2º e o 9º andar. Isso significa que qualquer estratégia de projeto necessária para atender aos critérios normativos (como espessura de isolamento, especificações de vidros ou proteção solar) precisará ser aplicada no projeto executivo de todos esses pavimentos entre térreo e cobertura.


2. Quando a simplificação NÃO pode ser adotada?


A regra de ouro da simulação é: houve alteração nas trocas térmicas, o pavimento precisa ser simulado.


Mesmo que a planta-baixa arquitetônica seja rigorosamente idêntica em toda a altura da edificação, o pavimento deve entrar individualmente no modelo se houver:


  • Variação na cor/absortância da fachada: Pavimentos com pintura clara e pavimentos com pintura escura trocam calor de forma diferente com o meio.

  • Diferenças de sombreamento: Variação nos elementos de sombreamento ao longo da altura da edificação.

  • Mudança nos sistemas construtivos ou revestimentos: Alteração de alvenaria, adição de isolamento ou troca do tipo de fechamento.


3. Volumetria e a preservação das Condições de Contorno


Além da seleção dos pavimentos, a norma estabelece que a volumetria dos ambientes deve ser respeitada. Em pavimentos não residenciais (como salas comerciais, garagens ou áreas comuns), é permitida a simplificação em uma única zona térmica, desde que o volume de ar e a geometria externa permaneçam fiéis ao projeto arquitetônico.


Contudo, uma das recomendações mais críticas da ABNT NBR 15575 refere-se à preservação das condições de contorno reais da edificação, ou seja, deve-se evitar o uso de superfícies adiabáticas.



O perigo das Superfícies Adiabáticas na Simulação


Em modelos térmicos, uma superfície é definida como adiabática quando assume-se que não há transferência de calor através dela (Q = 0), o que ocorre conceitualmente quando ambas as superfícies da parede estão expostas à mesma temperatura instantânea.


Representação de Zonas Térmicas com Superfícies Adiabáticas. Imagem produzida com recurso do Gemini.
Representação de Zonas Térmicas com Superfícies Adiabáticas. Imagem produzida com recurso do Gemini.

Na prática da modelagem, atribuir a condição de contorno Adiabatic em locais inadequados (como divisórias entre apartamentos com perfis de uso diferentes ou lajes intermediárias sem o contorno do ambiente adjacente) elimina os ganhos ou perdas de calor daquela zona.


Essa simplificação pode alterar o comportamento das temperaturas operativas internas ao longo do ano, modificando o valor dos indicadores de desempenho térmico.


Conclusão e Aplicação nos Projetos


A simplificação da geometria na simulação computacional é uma ferramenta valiosa para otimizar tempo e poder de processamento, mas deve ser conduzida com extremo rigor técnico. Garantir que as condições de contorno reflitam a física real da edificação é o que separa um relatório meramente burocrático de uma análise de desempenho verdadeiramente precisa.


Na Comfy Lab, unimos o rigor da pesquisa acadêmica à prática, apoiando projetistas, construtoras e consultores no diagnóstico correto segundo a ABNT NBR 15575 desde as fases iniciais de concepção de projeto.


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